Essa, como eu já avisei, é a única poesia que foi escrita em 2010, nesse período eu já estava começando a escrever fanfics com mais fervor, já me dedicando a trabalhos longos, com capítulos, que acabaram tomando totalmente a minha inspiração e me fazendo deixar as poesias um pouco de lado, e é também a única poesia que existe entre as minhas antigas e as últimas poesias que eu me arrisquei a escrever no começo do ano passado, que se mostraram um pouco diferentes do que eu estava acostumada e que me deixaram bem feliz, apesar de terem saído com muito custo.
Pensando nessa poesia e na próxima que eu vou postar, a primeira das novas, que se chama "Cassandra" por motivos que vocês que leem esses textos do "Cause I'm a Writer" já conhecem, é interessante ver como elas parecem se completar. É como se uma puxasse a outra propositalmente, mas na verdade não foi assim. Elas tiveram quatro anos de diferença uma da outra e "Agonizando" nem estava no mesmo caderno com as outras que eu postei, eu a reencontrei realmente quando estava organizando as poesias pra postar aqui. Foi totalmente sem querer, mas elas falam sobre o futuro e sobre ver como o futuro vai ser e eu achei isso bem interessante!
Aqui novamente eu menciono o "Espelho Demoníaco" me observando e, eu não tenho certeza se já disse isso antes, mas uma explicação para essa metáfora seria mais ou menos o meu "eu-adulto", um "eu" de hoje, que sabe que nada dos sonhos de criança vai se tornar realidade e que eu vou ter de aceitar isso mais cedo ou mais tarde. Quanto mais tarde, mais dor... Foi uma dura lição...
Como eu já falei aqui também, eu tive uma tendência muito forte por muitos anos às artes cênicas e o Teatro é uma entidade muito forte nas minhas metáforas (e seria ainda mais, se eu conseguisse voltar a escrever poesias...)! Eu sempre gosto muito de usar a frase "o subir das cortinas", uma clara alusão a ele. Aqui também tem o verso "Se render teatralmente ao que vai me matando" na quarta estrofe que também faz menção a ele.
Um coisa muito importante que também está aqui é a ideia do primeiro verso da sétima estrofe "As rimas mancham esse simples papel". Eu sempre vi as rimas, as poesias e meus textos assim por diante como partes minhas que caíam no papel, como lágrimas ou como sangue...
Outra ideia que eu gosto muito e também está nessa sétima estrofe é a "Dos sonhos lindos evaporando..." não é bem legal pensar em sonhos evaporando como água? Eu gosto muito desse verso!
Mais uma vez eu falo sobre o "quarto escuro", que antes não tinha paredes ou janelas e não impedia a chuva de entrar, se lembram? Assim como em A Casa das Hostesses, depois da Tempestade, vem a Escuridão...
E pra terminar essa explicação, eu acho interessante que aquela criança inocente e sonhadora, que voava com as asas malfadadas na rosa da manhã se transformou num monstro devorador de almas e de esperança...
Poesia do dia 14 de janeiro de 2010 (quinta-feira)
Agonizando
Eu me sinto tão vazia que mal posso chorar.
A minha alma aqui dentro está se rasgando.
Em parte alguma, eu sinto a dor parar.
É terrível me manter respirando.
Eu sinto o ódio rangendo os meus dentes,
Sinto a dor profunda me despedaçando,
O gosto de sangue e de culpa em minha boca, bem quentes,
A loucura corre em minhas veias, me incitando.
O Espelho provocante torna-se mais demoníaco
Diante dos meus olhos, me ludibriando,
Debochando do desesperado batimento cardíaco
Do meu frágil coração ainda pulsando.
O meu viver quer rapidamente se acabar,
Se render teatralmente ao que vai me matando.
Eu quero, eu preciso de lágrimas pra chorar,
Pra jogar fora o que está definhando.
Já estou farta de fingir tudo aguentar,
Porque eu não vou mesmo acabar ganhando!
A quem eu estou tentando enganar?
Qualquer um sabe o final que está me esperando...
Uma parte de mim, desejava viver...
Quando foi que ela foi se acabando?
Que triste fim que a fez esquecer
A sua força pra continuar lutando?
As rimas mancham esse simples papel,
A fria realidade está agora despontando...
Um autorretrato tão cruel
Dos sonhos lindos evaporando...
Foi a falta de fé, de confiança?
Foi isso que um monstro acabou criando?
Um devorador de almas, de esperança?
Isso que agora eu vou me tornando?
É um novo e assustador quarto escuro...
Uma pura e inocente criança brincando...
Traços do triste vislumbre do futuro
Que com o subir das cortinas está começando...
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segunda-feira, 19 de janeiro de 2015
Cause I'm a Writer e Outras Histórias - Poetry Time 74
sábado, 17 de janeiro de 2015
Cause I'm a Writer e Outras Histórias - Poetry Time 73
É interessante que a poesia anterior se chamasse Almas Distantes e essa daqui se chame Alma, acho que eu estava bem ligada ao meu espiritual nessa época. Mas a verdade é que eu era quase capaz de sentir minha alma quebrada nesse ano (o que nos traz a um sintoma muito parecido com o que eu tenho sentido nos últimos meses...), como o verso "Sozinha, aguentei minhas feridas" dá a entender.
Novamente, eu falo de alguma coisa muito parecida com a Akai Ito que eu já expliquei aqui, quando falo sobre a "linha entrelaçada".
Poesia do dia 30 de novembro de 2009 (sexta-feira)
Alma
Nós dois fomos um dia separados,
Antes mesmo da origem dos tempos.
O silêncio dos corpos mascarados
É varridos por esses ventos...
Nossas lembranças ficaram adormecidas
Para que o tempo pudesse se cumprir.
Sozinha, eu aguentei minhas feridas
Sem que tivesse você pra me sorrir...
No espelho, eu me vejo devastada
E a areia escorre sem parar.
Pra ter a chave da linha entrelaçada
Abri mão das minhas asas ao pagar...
Eu não fui capaz de compreender
O quão alto seria esse preço...
Não imaginei o quanto iria me doer
Ser sua sem lhe ter desde o começo...
Viver não devia ser um tormento.
Sem você, como eu vou sobreviver?
Eu tento continuar, juro que tento...
Mas nada deixa dessa dor eu me esquecer...
Novamente, eu falo de alguma coisa muito parecida com a Akai Ito que eu já expliquei aqui, quando falo sobre a "linha entrelaçada".
Poesia do dia 30 de novembro de 2009 (sexta-feira)
Alma
Nós dois fomos um dia separados,
Antes mesmo da origem dos tempos.
O silêncio dos corpos mascarados
É varridos por esses ventos...
Nossas lembranças ficaram adormecidas
Para que o tempo pudesse se cumprir.
Sozinha, eu aguentei minhas feridas
Sem que tivesse você pra me sorrir...
No espelho, eu me vejo devastada
E a areia escorre sem parar.
Pra ter a chave da linha entrelaçada
Abri mão das minhas asas ao pagar...
Eu não fui capaz de compreender
O quão alto seria esse preço...
Não imaginei o quanto iria me doer
Ser sua sem lhe ter desde o começo...
Viver não devia ser um tormento.
Sem você, como eu vou sobreviver?
Eu tento continuar, juro que tento...
Mas nada deixa dessa dor eu me esquecer...
segunda-feira, 5 de janeiro de 2015
Cause I'm a Writer e Outras Histórias - Poetry Time 68
Eu realmente gosto dessa poesia, acho que foi uma poesia que eu escrevi já pensando nas coisas que eu tenho contado por aqui, sobre a construção, sobre a continuidade e a coesão com algumas das anteriores, sobre sentido...
Simplesmente amo os dois últimos versos da segunda estrofe: "Abandonar nossas asas mal fadadas/ Pra encarar no espelho o que não seríamos". Deixar pra trás a infância e encarar o que temos de ser deve ser uma das coisas mais difíceis de fazer na vida e eu gosto de como essa frase expressa isso da maneira certa!
Mas eu realmente acho que a terceira estrofe é a mais legal: "Ah, espelho demoníaco me aguardando.../ Sorrindo na espreita por me ver tão ansiosa./ Um sorriso triste da liberdade se apagando,/ Na mão, as despetaladas partes de minha rosa." Sempre coloquei a "rosa" como a infância, assim como as "asas" e a "manhã" e ter uma figura, um "espelho demoníaco" que, além de mostrar aquilo que não escolheríamos ser, ainda nos encara sorrindo com essa rosa despetalada é realmente assustador...
Acho que é uma das minhas poesias mais profundas, pelo menos pra mim...
Uma última coisa, antes de seguir para a poesia, que tem tudo a ver com os textos do "Cause I'm a Writer": minha prima me mandou uma palestra da Elizabeth Gilbert, escritora de "Comer, Rezar, Amar" muito interessante sobre o processo criativo de um escritor que merece ser apreciada! Ela me emocionou de verdade!
http://www.ted.com/playlists/170/kickstart_your_creativity?utm_content=buffer933db&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
Poesia do dia 02 de fevereiro de 2009 (segunda-feira)
Em Vida
A vida nos obriga a fazer um estranho curso
E a não perceber as transformações do caminho,
Encaramos como nossa decisão aceitar o último recurso,
Surpreendendo o final chegar sozinho.
Tantas coisas tem de ser deixadas...
Escolhas que, por fim, nós não faríamos...
Abandonar nossas asas mal fadadas
Pra encarar no espelho o que não seríamos.
Ah, espelho demoníaco me aguardando...
Sorrindo na espreita por me ver tão ansiosa.
Um sorriso triste da liberdade se apagando,
Na mão, as despetaladas partes de minha rosa.
Minha tão delicada rosa da manhã
Que agora, no poente, jaz partida.
Consomem-se as asas numa noite vã,
Não se regeneram nessa despedida.
Simplesmente amo os dois últimos versos da segunda estrofe: "Abandonar nossas asas mal fadadas/ Pra encarar no espelho o que não seríamos". Deixar pra trás a infância e encarar o que temos de ser deve ser uma das coisas mais difíceis de fazer na vida e eu gosto de como essa frase expressa isso da maneira certa!
Mas eu realmente acho que a terceira estrofe é a mais legal: "Ah, espelho demoníaco me aguardando.../ Sorrindo na espreita por me ver tão ansiosa./ Um sorriso triste da liberdade se apagando,/ Na mão, as despetaladas partes de minha rosa." Sempre coloquei a "rosa" como a infância, assim como as "asas" e a "manhã" e ter uma figura, um "espelho demoníaco" que, além de mostrar aquilo que não escolheríamos ser, ainda nos encara sorrindo com essa rosa despetalada é realmente assustador...
Acho que é uma das minhas poesias mais profundas, pelo menos pra mim...
Uma última coisa, antes de seguir para a poesia, que tem tudo a ver com os textos do "Cause I'm a Writer": minha prima me mandou uma palestra da Elizabeth Gilbert, escritora de "Comer, Rezar, Amar" muito interessante sobre o processo criativo de um escritor que merece ser apreciada! Ela me emocionou de verdade!
http://www.ted.com/playlists/170/kickstart_your_creativity?utm_content=buffer933db&utm_medium=social&utm_source=facebook.com&utm_campaign=buffer
Poesia do dia 02 de fevereiro de 2009 (segunda-feira)
Em Vida
A vida nos obriga a fazer um estranho curso
E a não perceber as transformações do caminho,
Encaramos como nossa decisão aceitar o último recurso,
Surpreendendo o final chegar sozinho.
Tantas coisas tem de ser deixadas...
Escolhas que, por fim, nós não faríamos...
Abandonar nossas asas mal fadadas
Pra encarar no espelho o que não seríamos.
Ah, espelho demoníaco me aguardando...
Sorrindo na espreita por me ver tão ansiosa.
Um sorriso triste da liberdade se apagando,
Na mão, as despetaladas partes de minha rosa.
Minha tão delicada rosa da manhã
Que agora, no poente, jaz partida.
Consomem-se as asas numa noite vã,
Não se regeneram nessa despedida.
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