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segunda-feira, 7 de agosto de 2017

O Brasil não é um país alegre!


Nós não temos esperança, nem entre os mais novos, que não tem condições de entrar no mercado de trabalho, que não conseguem se firmar na sociedade, não tem direitos e só muitos deveres, mas também não temos esperanças entre os mais velhos, que, mesmo consolidados em suas profissões, não ganham o suficiente para manter seus lares, para pagar esses impostos absurdos que o governo coloca sobre a população, como se fosse uma sentença de morte!

Nós temos a maior taxa de Depressão da América Latina e ainda relutamos em considerá-la uma doença, mesmo que ela venha tirando vidas ao nosso lado descomunalmente!

Relutamos em admitir que existe um problema e fazemos piada de tudo ao invés de pensar em uma mudança drástica e necessária! A piada nos deixa ainda mais doentes!

A Depressão ainda é encarada em muitos lares como fraqueza, como "falta de louça pra lavar", como ócio, preguiça, falta de garra... Mesmo que diariamente lutemos para mudar essa visão, muitas pessoas ainda são cegas para muitas coisas que só ajudam a disseminar esse preconceito!

O Brasil não é um país alegre! O brasileiro NÃO é um povo alegre!

É um dos países mais perigosos para ser criança, mulher, homossexual, trans... Quem olha de fora e vê "carnaval", não vê a guerrilha que é caminhar pelas ruas, com medo da própria sombra, não vê o que é correr com o coração apertado pela rua da própria casa!

Nós vivemos com medo! Medo de tudo, medo das pessoas, medo do governo, medo da inflação, do desemprego, da intolerância, medo de não ter o que comer, medo de bala perdida, medo de trabalhar todos os dias ao longo da vida e não ter direito nem de morrer em paz! Como dá pra ser feliz assim? Como ser saudável assim?

O Brasil está longe de ser um país alegre... E cada vez mais longe de ser um país!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

domingo, 6 de agosto de 2017

Fantasma da Depressão


Eu compartilhei esse quadrinho da página Fantasmas e quis escrever sobre isso. Na verdade, no Facebook eu sempre compartilho muitas coisas sobre depressão, principalmente nesses dois últimos anos e eu estou muito feliz conseguindo escrever aqui no blog sobre isso também!

O que me deu vontade de escrever nesse quadrinho é porque é uma situação na qual eu me encontro praticamente todos os dias. Na capa do post passado tinha uma frase dizendo que algumas pessoas com Depressão não conseguem sair da cama e outras conseguem, apesar da doença. Mas vai além dessa dificuldade de sair da cama! A Depressão tira completamente sua vontade de sair de casa!

Muitas vezes, eu quero sair, encontrar meus amigos, me divertir, então eu marco alguma coisa com eles e nesse momento a doença entra em ação! Eu perco a vontade, eu não quero mais me divertir, eu não quero mais ver ninguém, eu não quero sair de casa, eu fico torcendo para que chova, pra que eles desmarquem, pra que aconteça algum imprevisto, eu me pego imaginando desculpas pra não ter de ir... É raro, raríssimo a Depressão te deixar se divertir como uma pessoa que não tem a doença!

Isso não quer dizer que eu não goste mais da companhia deles, que eu não quero mais vê-los, que, quando nenhum imprevisto acontece e eu realmente vou a esse encontro, eu não me divirta. Isso só está ligado a mais um dos sintomas que eu preciso lutar diariamente para não me consumir.

Enquanto eu escrevo esse texto, estou escutando a música "Dark Side", da Kelly Clarkson e eu gosto muito da letra porque ela diz exatamente sobre isso:



"Há um lugar que eu conheço/ Não é muito bonito lá e poucos viram/ Se eu o mostrasse agora/ Ele te faria fugir?/ Ou te faria ficar?/ Mesmo que doa/ Mesmo se eu tentar te afastar/ Você voltará?/ E me lembrará de quem eu realmente sou?"



Eu acho impressionante como, quando a gente para pra procurar um pouquinho, encontra pedaços de sentimentos que estão na gente em músicas que gostamos, em livros que lemos, filmes que assistimos... Cada um lida de uma forma, mas quando tantas pessoas falam sobre os mesmos sintomas em lugares diferentes, de jeitos diferentes, como ainda insistir que Depressão não existe?

Nesse trecho da música que eu destaquei, ela fala sobre "mesmo se eu tentar te afastar", que é exatamente o que eu vim falar hoje, sobre como acabamos afastando os outros por causa da doença e nos deixamos sozinhos, sofrendo ainda mais.

Num outro trecho, ela diz:



"Todo mundo tem um lado negro/ você me ama?/ Pode amar o meu?/ Ninguém é uma imagem perfeita/ Mas nós valemos à pena"




É tão difícil aprender a se amar de novo depois da Depressão, gostar das coisas que fazemos, das qualidades que temos... É tão difícil apreciar os momentos em que conseguimos vencer, conseguimos sair e nos divertir, conseguimos ser positivos...


Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

sábado, 5 de agosto de 2017

Coletânea de Universos Fantásticos Editora PenDragon


Eu preciso falar um pouco sobre esse livro maravilhoso da Editora PenDragon que também entrou em pré-venda e será lançado na Bienal do Rio de Janeiro (eu já falei demais da Casa das Hostesses Guilty por aqui, vocês vão acabar se cansando de mim *ri*)

"Universos Fantásticos" é uma Coletânea de Contos de todos os autores da PenDragon e está maravilhosa!

Meu conto é, como está aí na capa, Youkai da Destruição, mas todos os contos são incríveis e você não consegue largar o livro do começo ao fim! Eu achei a ideia desse livro maravilhosa e é uma grande honra pra mim estar ao lado dos meus irmãos dragões em mais essa aventura!

Se vocês quiserem saber mais, o Blog Mais QI Nerds fez um post com cada autor falando um pouquinho sobre o seu conto ===> Entrevista

Não deixem escapar essa incrível oportunidade e comprem agora mesmo!

Link para compra ===> Universos Fantásticos

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

Chega de estigmatização!



Antes de continuar escrevendo sobre depressão eu quero deixar claro que tudo o que eu falo é o ponto de vista de uma pessoa que tem depressão e que convive com a doença por 10 anos. É diferente para cada pessoa (assim como eu coloquei aqui como capa!) e eu não sou especialista ou estudiosa para falar com profundidade sobre isso!

O que eu quero passar com esses meus textos é que nós precisamos conversar mais sobre esse assunto, as pessoas com essa doença precisam de ajuda, de apoio e muitas vezes de remédio e isso não tem nada de errado! Não as faz mais fracas do que ninguém!

Se tem uma coisa que me deixa muito brava são pessoas que dizem que é "falta de louça pra lavar"! Quando eu entrei em depressão, eu estava num "ano sabático" nada sabático, como eu costumo dizer. Eu não estava estudando nem trabalhando, mas eu lavava MUITA louça, eu fazia comida, eu buscava meus irmãos na escola, eu estudava pra prestar concurso (que eu passei, mas essa é uma outra história)... Eu entrei na faculdade e ainda fazia muitas dessas coisas no ano seguinte, e isso não diminuiu minha depressão!

Então, vamos parar de falar essa frase infeliz, ok? Depressão NÃO é ócio! Não é falta do que fazer...

Depressão é uma doença como todas as outras e você não escuta ninguém dizendo que alguém pegou gripe porque estava à toa!

 Ao mesmo tempo, Depressão NÃO é como todas as outras doenças... Quando alguém fica doente (eu vou enfatizar: FICA doente!), costumamos falar "pegou, ficou"... Depressão não se contrai, nela se entra, nela se cai!

Vejo vocês no próximo
Déborah Felipe

Preste atenção aos pequenos detalhes


Como eu falei antes, eu gosto de ser escritora porque eu consigo soar muito mais inteligente escrevendo, não que na maioria das vezes eu não faça as coisas intencionalmente em meus textos, mas algumas vezes saem frases muito boas, ideias muito boas, que só depois da interpretação que eu vejo que disse uma coisa interessante sem querer.

Eu não vou falar sobre esses casos, foi só uma maneira de começas o texto. O que me deu ideia para escrever agora foi uma das lembranças que apareceu no meu Facebook, uma frase que eu escrevi que trata sobre outro período da minha depressão, não aquele do qual eu já falei, que foi o começo, mas um dos momentos em que eu ainda estava lutando pra me manter inteira.

A frase que me apareceu foi a seguinte:

"Eu percebi o quão horrível sou como pessoa... Eu caminho de costas para o futuro, não porque eu tenho medo dele, mas pra apagar minhas próprias pegadas e garantir que ninguém encontre onde eu estou..."  (04 de agosto de 2015)

Não faz tanto tempo assim, né? E sabe o que me fez começar a escrever sobre essa frase aqui? Ela estava no meu mural do Facebook, pessoas curtiram essa frase, mas ninguém me perguntou se eu estava bem.

Ok! Eu não vou ser injusta aqui, algumas pessoas, as mais próximas, com quem eu já tinha conversado sobre minha doença nessa época, sempre que eu escrevo alguma coisa assim, me perguntam se aconteceu alguma coisa, se eu estou bem. Mas eu falo de todas as pessoas no geral, que costumam não perceber os mínimos sintomas da depressão nas pessoas a sua volta. Às vezes, você conhece alguém que tem a doença e, mesmo que você realmente se importe com ela, você não vê a verdade por trás das palavras e ações.

De repente, um amigo seu anda muito calado, não sai mais com você, anda "sumido" das redes sociais e você julga que ele está só muito ocupado. Às vezes, você lê uma frase triste, que uma amiga sua compartilha de um poema ou de uma música e você só continua olhando todas as atualizações das muitas outras pessoas que você tem adicionado...

Eu sei que o fato de ser escritora confunde muito as pessoas. Às vezes, eu escrevo uma coisa assim no Facebook e nem é como eu estou me sentindo, mas sobre alguma coisa que eu estou escrevendo. Já tem um texto aqui no blog sobre o quanto é difícil conviver com um escritor. É difícil separá-lo da própria obra, eu também tenho essa mesma dificuldade. Por isso que quando eu termino de escrever alguma coisa nova, meu processo de luto é tão doloroso; por isso que, quando estou muito concentrada num texto, num livro, eu sinto todas aquelas coisas de que eu falo... Escritores são a própria arte e, mesmo que eu não esteja sentindo, eu estou. É confuso, eu sei.

Todas as emoções num livro não seriam tão fortes e tão vivas na hora da leitura se o escritor não as conhecesse! Escrever é a arte de despertar emoções com palavras e é um tanto delicado fazer isso sem cometer erros terríveis!

No momento, eu não me lembro mais porque me julgava uma pessoa horrível, não me lembro mais porque não queria ser encontrada pelas outras pessoas. Mas eu me lembro de sentir tudo isso, de me sufocar nesse sentimento de querer me perder ainda mais dentro de mim e dá pra ver nessa frase que não estava bem.

Mas o mais importante de ela estar aberta as outras pessoas é que eu queria ajuda, queria que percebessem que eu não estava bem, queria ser salva de mim mesma! Eu estava começando a ficar pronta para falar a respeito da minha depressão; ainda assim, demorou dois anos para que eu começasse a falar sobre isso!

Vejo vocês na próxima
Déborah Felipe

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Como assim Guilty é um livro sobre Depressão?


No meu último texto, eu falei sobre o fato de que "A Casa das Hostesses Guilty" tratar sobre depressão e eu quero explicar isso um pouco melhor.

Eu também disse que foi com meu processo criativo de escrita que eu comecei a melhorar da minha depressão e foi mais ou menos nesse mesmo período que eu escrevi os dois primeiros livros da série, ou seja, a depressão está bem ali, no meio da história, mas ela está da mesma maneira que estava em mim, mascarada, rondando na escuridão.

Em momento algum do livro eu paro a narrativa, puxo uma cadeira e olho para o leitor dizendo "ok! Hora de conversarmos sobre Depressão". É um romance, não tinha nem como eu fazer uma coisa assim. Acho que se eu colocasse algum personagem falando sobre o assunto, talvez parecesse muito forçado. Eu não sei.

Guilty tem essa tonalidade azul na capa porque ela representa a depressão. Pra quem não leu o primeiro livro, eu não vou soltar nenhum spoiler, mas aconteceram coisas que não vão embora da cabeça de uma pessoa sem deixar muitas marcas.

Esse é um ponto interessante para se abordar. Todos nós somos seres marcados por nossas vidas! Essas marcas podem ser profundas ou não, mas nós sempre as temos! E por essas marcas, essas "frestas" em nossa estrutura, que a doença entra e se instala em nosso ser.

No primeiro livro da Casa das Hostesses, o protagonista Souji passa por uma situação muito delicada e dolorosa e no final do livro já é possível perceber que ele não é mais o mesmo que no começo. No começo (e eu vou falar aqui porque todo mundo pode encontrar a degustação do começo dos dois livros no Wattpad), ele já está mal porque descobre que sua noiva o traía com seu próprio pai, mas no final, Souji está muito pior do que quando vai até A Casa das Hostesses pela primeira vez.

Em Guilty, ele terá de lidar com esses mesmos sentimentos de não se achar bom o bastante, se afastar dos outros, aceitar as situações, por menos que as queira. Essa foi a maneira que eu encontrei de abordar a depressão no livro.

O mais interessante no enredo é que Souji é o personagem óbvio para diagnosticarmos a depressão, mas ele não é o único! Eu não vou explorar muito isso, porque ai sim seria um spoiler, mas essa é uma coisa a se prestar atenção na leitura. Quais dos outros personagens também estão emocionalmente abalados? Ou seria melhor dizer: será que tem alguém ali que não está?

Eu realmente gosto muito de ter colocado essas nuances no livro e eu gosto de escrever exatamente porque eu pareço muito mais inteligente quando faço coisas assim (ri) e espero realmente que eu possa colocar mais pessoas para pensar sobre depressão com o livro e com as muitas vezes que eu vou tentar falar sobre isso quando estiver comentando sobre ele!

Vejo vocês na próxima!
Déborah Felipe

Uma vida só minha


Eu já falei subjetivamente nos meus textos sobre poesias aqui, mas a partir daqui eu quero falar sério. Eu tenho depressão e agora eu acho que está controlada, mas sempre existem os períodos mais escuros, quando eu não tenho vontade de levantar da cama, quando eu não tenho vontade de viver mais...

Eu decidi falar mais sobre isso agora porque, primeiro, eu não tenho mais tanto medo de admitir que tenho a doença e segundo, porque eu acabei de escutar uma música da KatyPerry, "By the Grace of God" que é exatamente sobre isso e ela começa a música falando que tinha 27 anos, a mesma idade que eu tenho agora e me inspirou. 

Eu vou destacar alguns trechos da música nesse texto, porque eu achei realmente impressionante.


"Pensei que eu não era o suficiente/ Descobri que eu não era tão forte"


Antes de me perceber com a depressão, eu já sabia que existia dentro de mim um monstro que ficava cada vez mais forte e esse monstro sussurrava coisas no meu ouvido. Eu tinha 18 anos, tinha acabado de sair do Ensino Médio, não conseguira entrar no curso que eu queria fazer de faculdade, porque nós não tínhamos dinheiro pra pagar. Eu não me lembro se já existia esses financiamentos, mas eu não fui atrás, não porque a minha vontade não era assim tão forte, mas porque eu não achava que eu era boa o suficiente pra lutar por aquilo. Era o que o monstro já sussurrava em meu ouvido, repetidamente.

Como não consegui entrar no curso que eu queria, fiquei o ano seguinte ao final do Ensino Médio sem estudar, tentando colocar as peças de dentro de mim no lugar mais uma vez, descobrir o que eu queria fazer. Nessa época, eu tentava ao máximo calar as vozes que gritavam que eu não era boa o bastante pra nada e isso consumia toda a minha energia. Eu não era tão forte. Eu mal tinha deixado de ser criança...


"Nós estávamos vivendo em uma linha de falha/ E eu senti que a falha era toda minha"



Minha família também passava por um momento bem difícil (minha mãe estava trabalhando à noite, longe de casa, chegava muito tarde) e eu acho que foi nesse período também que a ansiedade do meu irmão se desenvolveu. Minha depressão e a ansiedade dele batiam de frente todos os dias e a casa sofria muito; apesar de ser mais velha, eu não conseguia pensar com clareza e ser o "adulto" da situação. Eu não queria crescer...


Foi o período em que eu me senti mais perdida e isso me fazia sofrer tanto que eu chorava até dormir todas as noites e pensar doía! Aquela angústia começou a se transformar numa dor física e eu não sabia explicar o que estava acontecendo comigo.


"Não aguentava mais"



Como um dominó empurrando um ao outro como um efeito cascata, de repente só tinha um pensamento em minha cabeça: eu quero morrer! E foi um efeito cascata de verdade porque eu me via planejando como eu faria, eu pensava nas maneiras de tirar a minha própria vida, eu não aguentava mais aquela dor.


Esse é o ponto principal da depressão! A dor chega a ser tão intensa e você se vê tão sem saída que a única saída é morrer... Você não consegue pensar em mais nada. Você não consegue pensar na dor que isso vai causar aos outros, você não pensa nas pessoas que vão te encontrar... Eu comecei a pensar nessa parte, nas pessoas que vão te encontrar, depois de ter assistido ao último episódio do seriado "Os 13 Porquês", que fala sobre suicídio.

Pra que não sabe, o seriado é baseado no livro de mesmo nome e conta a história de Hannah Baker, uma garota que mais do que a protagonista é a narradora. E ela está narrando a sua história justificando porque ela se matou. Ela deixou 13 fitas gravadas com sua história, mas a cena de sua morte é narrada por Craig, que também é quem acompanhamos ouvindo as fitas de Hannah. Na cena, o que mais me impressionou foi quando os pais dela chegam em casa e a encontram, é uma cena muito difícil de se ver! Eu não achava que fosse mexer comigo daquele jeito, porque você acaba se colocando no lugar daquela mãe, que acabou de perder a sua menininha, e não quer aceitar que ela não pode fazer nada.

Mas essa realização só me veio quase 10 anos depois que esses mesmos pensamentos estavam em minha cabeça. Naquela época, eu só queria muito que a dor fosse embora, que a voz se calasse.

Eu não gostava de mim! Eu não era boa o bastante e isso foi um problema. Porque, por mais que eu precisasse de tempo pra me curar, pra colocar a cabeça em ordem, pra encontrar um caminho, a doença não apenas me atrasava mais do que normalmente, mas a vida não queria mais esperar que eu estivesse pronta.

Foi nessas condições que eu fui cursar Letras. Eu fui pra esse curso porque minha mãe fez Letras, porque eu era boa em redação e principalmente porque eu era (e ainda sou) péssima em matemática. Mas eu não tinha conseguido pensar num caminho novo por mim mesma e esse era um caminho que deixava minha mãe feliz e tranquila. Meu maior problema é que Letras é TOTALMENTE focado em dar aula e, como filha de professora e uma pessoa com crises de ansiedade ao falar em público, eu abomino a ideia de ser professora! Sempre, desde criança, eu sempre disse que nunca seria professora, em hipótese alguma... Mas me vi sem saída.

O que acabou acontecendo é que eu fui conseguindo dominar melhor a minha doença e algumas pessoas podem pensar que eu estava melhorando porque não estava mais ociosa, outras podem pensar que era porque eu estava dando um curso a minha vida ou que Letras realmente estava me ajudando. Mas nenhuma dessas respostas é a certa.

Na época em que eu entrei na faculdade, eu ainda estava tão doente que ver outras pessoas da minha idade com vidas próprias, trabalho, namorado, amigos, era muito difícil e eu me sentia sangrando por dentro por isso. Eu queria uma vida também, mas eu nunca fui boa em conseguir uma.

O que realmente começou a me curar e isso vai parecer piegas de dizer, mas eu estou sendo completamente honesta aqui, foi a banda japonesa the GazettE! Não porque misteriosamente eles apareceram na minha porta e me disseram as palavras reconfortantes que eu precisava ouvir, ou só porque suas letras e melodias falavam direto ao meu coração (essa é parte da verdade). Não, o que aconteceu foi que eles despertaram em mim o que eu realmente era boa pra fazer! Por causa do the GazettE, eu entrei no meu maior processo criativo de escrita como nunca tinha entrado!

Foi quando eu comecei a escrever sem parar fanfics do the GazettE pra postar no Nyah! Fanfiction que eu me senti mais forte pra lutar contra a depressão e isso foi tão importante que até hoje eu me pego escrevendo, não importa o que seja, pra não cair de novo naquele abismo!

Muitas das minhas poesias falam sobre esse meu sentimento de estar perdida, não ser boa, não merecer a felicidade e "A Casa das Hostesses Guilty", meu novo livro que será lançado agora em setembro de 2017 também fala de depressão.

Eu me sinto mais forte, mas a depressão é uma doença que nunca vai realmente embora. Ela fica escondida, numa das partes da "casa", talvez um sótão, um porão, dentro de um armário, esperando o momento de fraqueza pra te lembrar que ela ainda mora ali. Mas eu me sinto realmente mais forte e foram precisos 10 anos pra que isso acontecesse, é um processo lento e doloroso de verdade, um caminho cheio de espinhos, cheio de buracos...

E eu quero falar mais sobre esse assunto por aqui, ainda é um assunto muito cheio de polêmica e preconceito que precisa ser debatido várias e várias vezes mais!

Espero ser capaz de conseguir! Desejem-me sorte!
Até a próxima!

Déborah Felipe